quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Poema da contracapa do livro A terra dos sonhos


"Prisão em si"

Para desanuviar a pressão
falo com uma velha árvore
que acho que até já é surda,
desabafo, conto todos os meus segredos,
mas será que os tenho? claro que sim, todos temos os nossos ...
na volta já não segredos, são degredos,
que nos atrofiam o espírito e a alma,
mas... já os desvendei para meio mundo,
pelo menos os meus, menos para quem devia,
o que dificulta ainda mais o caminho a percorrer...

Continuo a olhar para essa árvore, já velha e cansada,
conto-lhe todos os meus pensamentos, sem falar,
e fico à espera… e ela nada, em silêncio, muda,
mas como se me estivesse a ouvir tranquila,
continuo esperando num compasso de espera eterno,
sem fim, me perco no seu horizonte, no seu perfil,
[ nas suas ramadas,
que mais parecem estradas,
simplesmente deixo de pensar,
perco-me por aí, pelo infinito...
encontro um refúgio não sei bem onde…

Ah que bom, que alívio,
este mergulho no nada, nesta prisão em mim,
que ao mesmo tempo me faz sentir tão leve,
quase que estou a voar… quase que a sinto... a falar...
[e acordei do sonho !!
( - “ Acorde senhor já chegámos, a linha acaba aqui,
[tem que sair do comboio... !!! ” )

2 comentários:

Anónimo disse...

Ola Primão!!!!
Como sempre é visível uma grande sensibilidade nos teus poemas!!
Gostei muito deste!
Parabéns!
Beij gd
Rita

Gui disse...

Gostei muito do poema caro amigo.
Um abraço.