sexta-feira, 13 de novembro de 2009

“Saudades dos amigos”

Saudade embebida nas minhas lágrimas
que me escorrem de emoção
por verem partir alguém, da minha beira, amigos únicos,
que jamais encontrarei igual,
iguais a si mesmos, únicos, vocês mesmos,
tão importantes como uma raiz é para uma árvore,
uma corrente que faz viver um rio,
alguém que me vai deixar tristeza de os ver partir
e a saudade que espero nunca a perder
na mesma intensidade que a sinto hoje...

Recordo-vos sempre com nostalgia,
a vossa passagem pela minha vida
que não a vou perder mas sinto como tal, que me entristece,
saudade daquilo que me deixas
da tua modéstia, a tua sabedoria, como a tua inteligência, única,
que jamais encontrarei igual, amigos com letra grande,
saudades, saudades que me deixam, muitas saudades, podem crer,
parece Outono as folhas caem como uma lágrima que escorre
é apenas uma pequena parte de tudo daquilo que me deixam,
as folhas no chão da vossa recordação,
porque quem ama sente e amigos
[quem sente entrega-se de corpo e alma cega
e quem ama também aterroriza-se pelo afastamento
ou pela perda de um amigo
mas porque quando uma folha cai da árvore já não volta para lá,
é saudade de não poder estar convosco
e diariamente viver a vossa amizade...

Ah saudades de te bater à porta por nada,
sempre que me apetecia,
para apenas dizer olá, um olá a um amigo,
saudade de poder te cumprimentar sempre que queria
por estares ali, apenas ali e eu sabia e sentia-me protegido por isso
saudades de te poder chatear sempre que eu queira, ser chato, ser amigo,
saudade de saber sempre onde te encontrar,
embora vocês nunca ficassem quietos no mesmo sítio, os irrequietos,
saudades de vos ter por perto, saudade da vossa amizade,
saudade da vossa inteligência e das nossas conversas e desabafos
saudade da vossa pureza e entrega em tudo,
saudades vossas, de vocês meus amigos, saudades dos amigos,
saudade da vossa autenticidade e do seres genuínos que o são, puros,
saudade não é um sentimento obscuro pelo contrário, é um rio,
bem claro e sentido e chorado, com ondas agitadas,
porque a saudade também se ama
[para que ela nunca não morra e não pare de correr,
como as águas dos rios o fazem em direcção ao mar,
por isso encontramo-nos à esquina sempre, qualquer esquina,
para trocar dois dedos de conversa, conversar ou desabafar,
e dizer até já amigos, um dia destes matamos as saudades,
numa esquina qualquer ao pé de ti, à beira de uma árvore,
à beira de um rio, à beira mar, para correr e não deixar morrer
esta saudade, esta amizade,
[choro à por ti à esquina e fico à vossa espera
à beira da amizade e da vossa saudade!

Francisco Júnior – 5 de Novembro de 2009

1 comentário:

Rita disse...

Primão Como sempre revelas uma grande sensibilidade nos teus poemas!! Continua! Beijinhos
Rita