terça-feira, 13 de julho de 2010

“Um olhar sem olhar”

Olho para ti,

sem te ver os teus olhos,

bonitos, pelo menos no meu sonho eram assim,

também o devem ser na realidade, tenho a certeza,

pelos menos daquilo que pude ver breves segundos,

fiquei sem jeito ao pé de ti, fiquei sem chão, como areia movediça,

como eu queria que esta noite tivesse sido tão mágica, mas não o foi,

nervoso dei a volta ao mundo num segundo, sem agir, sem me mexer,

entrei em ruptura e fui embrulhado numa tempestade, nada mágico,

silencioso, mudo e sem sal, sem cólera para te conquistar,

e os deuses... e os deuses onde estavam, que nem me ajudaram,

onde estavam eles?

fiquei mudo e sem gestos à tua frente, como se tu me paralisasses,

num sonho que era só o meu, o meu sonho, fechado nele mesmo.

Olho para ti

sem te por a vista em cima, sem te olhar,

sem ver os teus olhos lindos, sádico não?

parece mentira perder tal beleza, a tua,

mas tu também não saíste da tua toca, fechas-te na tua tômbola,

apenas ouvindo as poucas palavras que saíam dela,

que soavam a música nos meus ouvidos,

mas nem isso me fez pois o atrofio era tão grande como o mar,

e medo não sei de quê, como se tivesse sido atropelado,

como me arrependo depois de ter saído do pé de ti,

será que foi o amor que me paralisou, será o que me paralisou foi o amor,

ou foi medo de começo de algo que ficou para trás?

e eu que tinha tanto para te dizer,

nesta cólera, nesta luta interior, neste feitiço, será o amor?

Olho para ti

nem a minha alma se move, nem os meus olhos, mudo como os mudos,

para te ver apenas como tu és linda, sem te olhar, olhando no meu interior,

como seria se tivesse sido tudo diferente, a minha vida é feita de ses...

ponho-me a sonhar... e se te tivesse olhado de frente para ti...

como seria se tivesse olhado de frente...

enfrentado os teus olhos que me transtornam de medo,

neste frenesim, que não sei o que fazer

porque quando estou ao pé de ti, paraliso,

será isto o amor, será isto qualquer coisa fugaz,

que não consegui apanhar num instante,

foi tão rápido que quando ia falar já tinhas passado,

e que já passou e que não volta para trás, tal como o tempo,

será isto o amor, ou será um olhar penetrante na alma do medo,

enfrentar o coração que nos deixa assim trémulos e inseguros

ou será apenas um frenesim sem explicação?

Enfim será isto amor? O que sinto o que senti e o que me paralisa?

O que será este olhar sem olhar e sem palavras?

Pergunto-me se estou na estação errada à tua espera?

Perguntas que ficam por responder... neste olhar sem olhar!


Francisco Júnior – 13 de Julho de 2010

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem Vasquinho, és um verdadeiro poeta, com um coração cheio sentimento e inspiração!
Bjinho

Luís Coelho disse...

Olá.
Gostei deste texto poético.
Como os olhos dos nossos sentimentos nos traiem....
Os silêncios incomodativos....
O nosso amor anda trocado fala só quando devia estar calado.
Vou seguir-te e se quiseres passar no lidacoelho deixa uma opinião, um comentário.